| Choro aflitivo e incomodativo por cólicas |
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Data: 02-02-09 Fonte: JAS Farma Sobejamente conhecidas, as cólicas desencadeiam no bebé uma aflição tremenda. Aflição esta que igualmente aflige os recém-pais. Existem soluções mas, sobretudo, há que encarar a situação com calma. A imaturidade das enzimas intestinais e a maior produção de gases e dificuldade na sua eliminação são dois factores que poderão estar na origem das famosas cólicas. Não raras vezes, atormentam os bebés, normalmente, a partir da 2.ª semana de vida até ao 5.º mês de vida. A sofreguidão do bebé durante a amamentação é outra das causas, já que implica uma maior deglutição de ar, devido à deficiente oclusão à volta do mamilo. Certos alimentos que a mãe ingere e que, por sua vez, são ingeridos via aleitamento materno também podem acentuar as ditas cólicas. Isto porque contêm substâncias que causam a produção de gases ou alteram a flora intestinal. Aflitivo, desesperado, perturbador, incomodativo. Assim pode ser caracterizado o choro causado pelas indesejadas cólicas, que ocorrem especialmente ao final do dia e de noite. Diferencia-se de outra forma de chorar porque, geralmente, é associada a movimentos de contracção abdominal e flexão e extensão das pernas, numa tentativa de expelir o gás intestinal. «Fazendo um paralelismo, é semelhante à dor causada por uma gastrenterite e, sobretudo, porque os bebés não conseguem controlar muito bem o esfíncter anal para inibir e poder libertar os gases ou as fezes. Portanto, como esta coordenação ainda não é eficaz, o gás fica acumulado no abdómen, tornando-o mais distendido, duro e tenso», diz a Dr.ª Mónica Pinto, pediatra na Consulta de Desenvolvimento do Hospital de Dona Estefânia e na Clínica Gerações. Nível de tolerância e manifestaçãoSe as cólicas são frequentes, pode acontecer, contudo, que um bebé não as tenha, se tiver uma boa eliminação de gases e um bom trânsito intestinal. Igualmente, pode dar-se o caso de o bebé não se manifestar através do choro, mas apenas com gemidos. Conforme explica Mónica Pinto, «o que varia é o nível de tolerância à dor e de manifestação, que difere de indivíduo para indivíduo». Para esta pediatra existe outro factor essencial, nomeadamente, a valorização dos pais. «Alguns pais lidam bem com as cólicas do bebé, porque as encaram como um processo de desenvolvimento e maturação intestinal, sabem como as aliviar e não ficam aflitos.» «Por outro lado», completa, «muitos pais ficam com muita ansiedade por causa do choro da criança, geram ainda mais ansiedade no bebé e, por conseguinte, cria-se um ciclo. Aliás, se a mãe estiver ansiosa, modifica as características do leite e quando está a dar de mamar o bebé sente, logo, fica com mais ansiedade e vai reagir de forma superior às cólicas». É, pois, consoante estes factores que atingem proporções maiores ou menores. De considerar que podem, inclusive, contribuir para desencadear a depressão pós-parto, pois, como a mulher está mais frágil, ao ouvir constantemente o choro por cólicas, pode ter a sensação de que não está a ser capaz de cuidar do seu bebé. «A situação melhora efectivamente quando o intestino atinge a maturidade e quando a criança muda para alimentos mais diversificados, como as papas, a sopa ou a fruta», conclui Mónica Pinto, frisando que «o aparecimento das cólicas faz parte do crescimento, pelo que os pais devem tentar controlar a ansiedade». As soluções que aliviam:As cólicas integram uma fase do crescimento do bebé, mas, para que não sofra demasiado, os pais têm ao seu dispor algumas soluções. Eis algumas referidas pela Dr.ª Mónica Pinto, pediatra na Consulta de Desenvolvimento do Hospital de Dona Estefânia e na Clínica Gerações: – O chá de funcho, de uso muito tradicional pelas nossas avós, confere um alívio do bebé de forma natural; – Determinados fármacos aproveitaram as medicinas mais tradicionais e têm preparados à base de extractos de plantas, que ajudam a melhorar o trânsito intestinal e a eliminação de gases; – Preparados com a função de diminuir a tensão das bolhas de gás, tornando-as mais pequenas para ser mais fácil a expulsão; – Sonda de gás; – A massagem também é uma opção. «Mantendo o bebé deitado, com uma mão, faz-se a flexão das pernas e com a outra massaja-se a barriga, quase como se tivéssemos a amassar, embora com cuidado. Vai estimular o intestino e como as pernas estão flectidas, facilita o relaxamento do esfíncter e a expulsão dos gases», comenta a pediatra; – Os analgésicos também podem aliviar a dor, nos casos extremos. Segundo Mónica Pinto, «os resultados destas soluções depende muito de cada bebé. Os pais podem experimentar várias e optar por aquela que melhor resultar. Entretanto, algumas atitudes podem ajudar, como seja assegurar que a mamada seja bem feita, em condições de tranquilidade e sem ansiedade». Texto: Sofia Filipe |









