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Um em cada três partos realizados em 2006 foi cesariana PDF Imprimir e-mail

Data: 07-03-08

Fonte: Público.pt

Numa discussão sobre riscos do aumento do número de cesarianas nos países em desenvolvimento, no âmbito do 20º Congresso Europeu de Ginecologia e Obstetrícia, o especialista português lembrou que a meta do Plano Nacional de Saúde é fixar em 24,8 por cento a taxa de cesarianas em 2010. Na Europa, o número médio de cesarianas é de 19 por cento.

"Em Portugal, as cesarianas são um problema de saúde pública que está a aumentar e é um procedimento que não beneficia a mãe nem o bebé. Em 2001, o número era de 29,7 por cento, em 2004 de 33 por cento, em 2005 de quase 35 e em 2006 de 33,5 por cento", apontou, no congresso que termina sábado, em Lisboa.

A redução que se registou entre 2005 e 2006 foi "um bom sinal", defendeu Vicente Pinto, mas "não foi suficiente e há mais a fazer".

Para justificar os números ainda elevados, o antigo director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) referiu à Lusa os pedidos da mulher - por temer complicações no parto vaginal ou consequências na vida sexual posterior - e o adiamento cada vez mais comum do momento da maternidade.

"Por motivos profissionais ou falta de reais recursos financeiros, as mulheres têm filhos cada vez mais tarde e a elasticidade do seu corpo é obviamente diferente aos 20 do que depois dos 30 anos", precisou.

No entanto, o clínico lembrou que uma cesariana é uma operação, que acarreta riscos idênticos a qualquer intervenção cirúrgica, um internamento mais prolongado e inúmeros problemas médicos.

Para contrariar o crescente número de cesarianas - em 2005 representavam 39 por cento dos partos na região Norte e 35 por cento em Lisboa - a MAC introduziu algumas medidas, nomeadamente não fazer induções de parto sem indicação médica.

Vicente Pinto defende que o acompanhamento de uma enfermeira-parteira por parturiante, como acontece na Finlândia, "quase resolvia todos os problemas".

"Há que fazer natural o que o é, e o parto é algo natural", resumiu Vicente Pinto, lembrando que a Finlândia tinha em 2004 o melhor valor de cesarianas na Europa dos 15 (16,4 por cento).

Frisou ainda que depois de uma cesariana é possível fazer um parto vaginal, desmistificando a ideia que "depois de uma cesariana, segue-se outra".

Na conferência de hoje, o especialista dinamarquês Weber apresentou técnicas alternativas à cesariana, designadamente para África, a fim de se evitarem novas infecções VIH/SIDA por eventual necessidade de transfusão de sangue.

 

 
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